Só este mês foram anunciadas três operações envolvendo capitais orientais: o setor segurador da CGD, o cinema Londres e o Restaurante Belcanto.
A compra dos seguros da Caixa Geral de Depósitos pelo grupo empresarial Fosun foi o negócio do mês em Portugal, não só pelos mil milhões de euros dispendidos, mas tabém pelo que representa: cerca de 30% do mercado segurador nacional.
Não foi, porém, o único negócio do mês a envolver capitais chineses e no que respeita o grupo Fosun poderá mesmo ter sido o primeiro negócio em Portugal.
Soube-se ainda, este mês, que o emblemático cinema Londres, em Lisboa, encerrado em 2013 pela exibidora Socorama, vai dar lugar a uma loja chinesa de retalho, depois de se terem esgotado as hipóteses de reaproveitamento para fins culturais.
Soube-se também que o Restaurante Belcanto, situado no Largo de S. Carlos, no Chiado, em Lisboa, explorado pelo chef José Avillez e com uma estrela Michelin, foi adquirido por dois investidores chineses para suporte à obtenção dos respetivos golden visa.
Recentemente, o semanário Expresso noticiava que a procura "exponencial dos compradores chineses por casas situadas no Parque das Nações", motivada pelo "golden visa", estava a levar ao "escoamento de stocks nesta parte da cidade" e a criar um "novo movimento no mercado imobiliário a que já não se assistia desde o início da crise, em 2008": a compra de terrenos para construção de raiz.
Imobiliário, área da saúde, turismo e produtos de marca estão entre os mais procurados pelos investidores chineses, podendo alguns deles vir a figurar na lista de compras do grupo Fosun. Com efeito, pouco depois da operação, num comunicado enviado à agência Lusa em Pequim, o grupo afirmava que "Portugal é um mercado chave altamente atrativo e corresponde bem à estratégia de expansão global do Fosun".
A primeira grande vaga de investimento chinês em Portugal começou há cerca de dois anos quando a empresa estatal China Three Gorges desembolsou 2.700 milhões de euros por uma participação de 21,35% no capital da elétrica EDP.
Desde então, mais duas outras grandes empresas chinesas: a China State Grid e a Beijing Enterprises Water Group protagonizaram grandes investimentos no nosso país.
Privatizações
As privatizações de empresas portuguesas feitas pelo Governo de Passos Coelho renderam, até agora, 8,1 mil milhões de euros, metade dos quais vieram das mãos de investidores chineses, que apostaram na EDP, REN e Caixa Seguros. Aos mil milhões de euros, pagos pelo Fosun por 80% da área seguradora da CGD, somam-se 387,15 milhões de euros resultantes da venda de 25% da Rede Elétrica Nacional (REN) à China State Grid em Fevereiro de 2012, e 2,69 mil milhões de euros oriundos da alienação de 21,35% da Energias de Portugal (EDP) à China Three Gorges no final de 2011.
Fonte: OJE

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