05 janeiro 2014

Outlets resistem à crise


Para manter as suas elevadas taxas de ocupação, reformularam estratégias e apostaram em novos mercados.
A crise no consumo levou os centros comerciais a multiplicarem os períodos promocionais ao longo do ano criando uma atípica concorrência junto dos outlets, que vivem precisamente dos descontos permanentes das marcas que acolhem nos seus espaços. Uma tendência recente que obrigou a novas estratégias por parte destes espaços comerciais que passaram a apostar forte nas grandes marcas internacionais e na capacidade de atração de clientes estrangeiros bem como na gestão de equipamentos que, não estando diretamente ligados ao consumo, trazem clientes ao local. 

Exemplo disso é a Loja do Cidadão, no caso do Strada Shopping & Fashion Outlet, em Odivelas, ou do centro de congressos no Freeport, em Alcochete. Para aliciar os consumidores nacionais reforçaram-se ainda os descontos sobre os descontos. Estratégias que têm resultado nos três outlets que o Expresso contactou - Strada, Freeport e Vila do Conde The Style Outlets - e que lhes permitem assegurar taxas de ocupação de lojas acima dos 95%. 

"As marcas de retalho regular começaram a falar a nossa linguagem, a dos descontos, para fazer face a quebras no consumo não alimentar que chegaram aos 37% (segundo o INE) nos últimos cinco anos. Isso acabou por ter impacto na nossa atividade e obrigou-nos a fazer alterações na nossa estratégia", refere Nuno Oliveira, diretor-geral do Freeport.

No caso deste espaço comercia! em Alcochete, com mais de140 lojas, isso implicou o reforço no eixo promocional criando, por exemplo, as "Quintas-Feiras loucas" no Freeport com descontos adicionais sobre os descontos das lojas outlet. Ou incluir, na sua carteira de lojas, grandes marcas internacionais que atraiam clientes nacionais e estrangeiros. "Só este ano introduzimos 10 novas marcas, em que se incluem por exemplo a Armani, a Guess ou a Nike, que é uma marca top 5 a nível mundial em termos de notoriedade e de volume de negócios", diz o responsável do Freeport, que teve um volume de negócios acumulado de €101 milhões e mais de quatro milhões de visitantes durante o último ano. Destes, 15% são turistas estrangeiros não comunitários, principalmente brasileiros, chineses e angolanos, que vêm fazer compras, trazidos pelos autocarros do Freeport que circulam por Lisboa. 

Loja do Cidadão em Odivelas 
O Strada Outlet, o reciclado Odivelas Parque gerido pela Mundicenter, tem como trunfos os seus espaços-âncora e a proximidade à capital. Paulo Pereira, diretor do Strada, lembra que a empresa "procurou responder a uma necessidade dos mais de dois milhões de consumidores da área metropolitana de Lisboa, oferecendo-lhes a possibilidade de acederem a um outlet em 15 minutos e onde o cliente pode ainda conjugar com compras no supermercado ou uma ida ao cinema ou à Loja do Cidadão (que faz 64 mil atendimentos por mês)". A funcionar como outlet há um ano e um mês, a aposta neste novo conceito não poderia ter corrido melhor tendo passado por este espaço cerca de 7,6 milhões de visitantes. Também aqui a abertura de novas lojas é uma prioridade, sendo a Mango a próxima novidade já assegurada em 2014, adiantou Paulo Pereira. 

No Vila do Conde The Style Outlets, o crescimento do último ano conseguiu manter o bom ritmo de sempre, apesar da crise. "Desde a abertura, em 2004, registamos uma tendência de crescimento contínuo, na ordem dos 8% ao ano, em média, na afluência como nas vendas", disse Lurdes Martins, responsável em Portugal daquele que é o segundo operador de centros outlets da Europa, com 15 empreendimentos em seis países (Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha e Polónia). 

Conseguir atrair marcas internacionais de grande notoriedade tem sido um dos pilares deste sucesso. Com uma elevada taxa de ocupação média (cerca de 98%), a rotatividade de lojas não pode ser alta. Ainda assim, em 2013 o The Style Outlets abriu espaços de marcas internacionais como Samsonite, La Perla, Body Shop, Kiko e outras. Para o primeiro semestre estão já garantidas mais três: Michael Kors, Benetton e Vileroy & Boch. Além do reforço da oferta na restauração com a abertura, já este mês, de um McDonald's. 

Outra aposta é aumentar o serviço de mini-bus junto dos turistas, iniciativa experimentada no verão passado. "Aproveitando o facto de o Porto ter cada vez mais turistas, com este serviço vamos buscá-los aos hotéis e a certos locais da cidade, trazemo-los cá e depois asseguramos o seu regresso", conta Lurdes Martins, confiante na continuação dos bons resultados do centro: "É um modelo de outlet que funciona muito bem em todos os momentos económicos, sejam ou não favoráveis. Porque temos um mix muito bem ajustado e porque a compra inteligente é sempre uma boa escolha".

Fonte: Expresso

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