24 janeiro 2014

Já há imobiliárias chinesas e pedreiras estão na calha


Portugal “está a estender a passadeira vermelha aos chineses ricos”, escrevia em Dezembro um jornal ligado ao Partido Comunista chinês. O artigo referia-se ao visto Gold, do qual os chineses são os maiores clientes, sobretudo através da compra de imóveis. Cada vez com mais rendimento disponível, estes investidores oriundos da classe média procuram diversificar a carteira de activos. Ao mesmo tempo, querem o prestígio de ter casas no estrangeiro.

“Já se criaram em Portugal mais de meia dúzia de imobiliárias chinesas porque eles é que conhecem melhor o gosto dos clientes”, indica um dos vice-presidentes da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), Ilídio Serôdio.

No passado, segundo os Censos, a comunidade chinesa optava por fixar-se em Lisboa, Sintra, Vila do Conde ou Benavente. Agora compra casas em zonas de luxo como o Parque das Nações, Cascais ou Tróia, que depois alugam. Já este ano foi anunciada a venda do espaço onde opera o restaurante Belcanto, gerido pelo chef José Avillez, a dois chineses. Queriam o documento que lhes abre as portas do espaço Shengen.

Interesse cresce

Com a entrada em força do capital chinês nas privatizações e o chamariz do visto Gold, “todos os dias” se sente o interesse da China na economia lusa, garante o responsável. “Há muito mais contactos do que no passado”.

De acordo com Ilídio Sêrodio, os chineses querem investir em sectores com rendimento garantido. É o caso do imobiliário ou das utilities – na electricidade compraram a EDP e a REN, e na água têm Veolia Water Portugal, que abastece vários municípios.

“Não vejo um chinês vir cá comprar uma empresa em grandes dificuldades, a menos que sejam dificuldades conjunturais. Estão a olhar para empresas em que todos os meses entre dinheiro, empresas do ‘pinga-pinga’, como é o caso da EDP”, ilustra.

Ainda assim, outras áreas estão a atrair a segunda maior economia do mundo. A indústria agro-alimentar poderá ter potencial. “Já estão a olhar para o azeite e para algumas quintas de vinhos”, avança o responsável, explicando que os chineses “estão a subir na escala”. Primeiro começou-se por exportar estes produtos para a China, mas o potencial de consumo está a motivar os investidores a “virem à fonte, em vez de importarem”. No ano passado, 200 empresários chineses vieram ao Salão Internacional do Sector Alimentar e Bebidas, em Lisboa, procurar oportunidades de negócio.

O mesmo está a acontecer na indústria dos mármores, uma das principais exportações de Portugal para o gigante asiático. “Já há empresas chinesas que estão cá a intermediar a compra para enviar para a China. E outras já estão a olhar para algumas pedreiras no Alentejo”, indica.

O turismo é outro alvo. A Fosun já manifestou interesse nesta área, até porque detém 7% dos resorts Club Med. “Se os investidores pensarem que vão trazer grupos de chineses para a Europa, vão comprar hotéis porque sabem que vão enchê-los com chineses”, justifica Ilídio Serôdio. “Querem começar a controlar a oferta turística para o enorme fluxo de turistas chineses, ao mesmo tempo que pretendem desenvolver o turismo na China, para diversificar a estrutura da economia chinesa, ainda muito dependente da produção industrial”, nota Miguel Santos Neves, do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais.

Fonte: SOL

0 comentários:

Enviar um comentário

Obrigado pelo seu comentário.