Apesar da intensificação da crise na Zona Euro, o impacto no volume de investimento nos primeiros seis meses deste ano foi menor que o antecipado, revela a consultora imobiliária Worx na análise "WMarketReview'12". Entre janeiro e junho de 2012, o investimento europeu atingiu 43,1 mil milhões de euros, o que representa uma queda de cerca de 14% face ao mesmo período do exercício passado.
De acordo com os analistas, a aversão ao risco mantém-se como o principal impulsionador para os investidores, que se mantêm focados em ativos prime. Mas a carência de stock prime em alguns mercados levou a uma redução significativa na dinâmica durante o primeiro semestre deste ano.
Assim, devido à incerteza financeira e económica que persiste, a Worx afirma que as perspetivas para 2012 permanecem negativas. Na maioria dos países da Europa Ocidental, são expectáveis quebras entre 15 e 50%, pelo que os investidores dissecam cada mercado e a sua exposição à crise. Como consequência, mantêm-se fortemente interessados no Reino Unido, Alemanha, França e Países Nórdicos.
Desde o primeiro semestre de 2011, registou-se uma quebra de 8% no volume de investimento, uma descida "menos significativa que o esperado, embora poucos mercados consigam escapar a esta tendência", declara a consultora imobiliária. Acrescenta que o mercado francês registou um aumento de 25% face ao primeiro semestre de 2011, devido a grandes transações no centro de Paris, enquanto a Alemanha permanece o mercado mais líquido da Europa.
O investimento em escritórios continua a liderar as preferências e registou-se um decréscimo no investimento em retalho que, entre abril e junho de 2012, foi de 4,6 mil milhões de euros, o menor valor desde o segundo trimestre de 2009, ressalva a Worx.
Já as yields prime estabilizaram e os aumentos são mais prováveis em mercados com maior nível de risco.
Mercado português com o valor mais baixo em 6 anos
Nos primeiros seis meses de 2012, o investimento nacional "foi de apenas 67 milhões de euros, o menor valor dos últimos seis anos e 45% abaixo do verificado no período homólogo (120 milhões de euros)", declaram os analistas da Worx.
A preferência por ativos prime em boas localizações, contratos de arrendamento de longa duração e inquilinos fiáveis continua a ser um dos principais requisitos do mercado português, acrescenta a análise. Consequentemente, o setor de escritórios foi o que registou o maior volume de investimento, com 48,7 milhões de euros, concentrado em duas operações (Rua Castilho 5, em Lisboa, que ascendeu a 32,7 milhões de euros, cujo comprador foi o Montepio; e o Pavilhão Virtual, também na capital, por um investidor privado, no valor de 16 milhões de euros).
A consultora imobiliária refere que, embora Portugal se encontre fora das rotas de investimento internacional, mesmo no atual panorama, tem sido capaz de atrair investimento, sobretudo de family offices ou pequenos investidores privados, sendo os brasileiros e espanhóis os mais ativos.
A Worx declara que a atividade dos fundos de investimento imobiliário nacionais se encontra bastante estagnada, mas, ainda assim, existe um crescimento em cerca de 1,58% do valor líquido global (VLG) desde o final de 2011. Mantém-se, no entanto, o período dilatado de tempo para a concretização de transações, decorrente da postura mais cautelosa dos investidores, das dificuldades de financiamento que se mantêm e da reduzida liquidez no mercado.
As prime yields têm vindo a aumentar de forma gradual, exceto no retalho de rua, segmento que apresenta um ligeiro decréscimo por se ter tornado uma alternativa consistente ao investimento em centros comerciais. Assim, a consultora imobiliária prevê que exista, a partir de agora, alguma tendência de estabilização para os ativos prime, enquanto os ativos secundários ou em localizações secundárias terão a tendência para manter uma pressão de subida.
Dinamismo bastante reduzido
A Worx conclui que a manutenção do reduzido nível de atividade do mercado de investimento nacional, com valores muito aquém dos registados nos últimos anos, se deve sobretudo ao elevado nível de dívida pública, às medidas de austeridade e aumento de impostos, ao aumento do desemprego, bem como às dificuldade e restrições no financiamento, que colocam risco acrescido ao investimento no País. Desta forma, registam-se períodos longos para a tomada de decisões de investimento, pelo que a concretização é precedida por longos períodos de avaliação e negociação entre as partes.
A consultora não prevê um aumento da atividade no mercado, que, estima, se pautará por um dinamismo bastante reduzido, por uma tendência geral de decrescimento das rendas e por alguma estabilização de yields prime, embora com a continuação de subida em ativos secundários.
Fonte: OJE
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