Mais de uma década após o seu lançamento, em 2000, a Pós Graduação em Gestão e Avaliação Imobiliária (PGGAI) do ISEG acaba entrou para o 38º lugar do Ranking da Eduniversal 2012. Uma distinção que vem confirmar a liderança da instituição portuguesa no «ranking dos melhores programas na área do imobiliário a nível internacional».
Com o objetivo de saber mais sobre este programa de formação avançada português que já é considerado um dos melhores do mundo, fomos falar com o diretor do curso, o professor João Carvalho das Neves, que fez «um balanço excelente»
O ISEG lançou a Pós-Graduação em Gestão e Avaliação Imobiliária (PGGAI) em 2000. Qual o balanço destes 13 anos?
O balanço destes 13 anos é excelente, foi um trabalho que se foi fazendo com muito entusiasmo por toda a equipa e que ultrapassa todas as expectativas iniciais. Se analisarmos três ou quatro variáveis chave podemos concluir:
- procura: elevada em todas as edições do curso. Mesmo nos anos mais recentes, de acentuada crise económica e financeira, designadamente no setor imobiliário, todas as expectativas foram ultrapassadas;
- reconhecimento da qualidade do curso, quer por parte dos alunos, de acordo com os questionários de avaliação efetuados, quer por parte de entidades internacionais, como o RICS, que viria a certificá-lo em 2007, e como a Eduniversal que o classifica em 38º lugar a nível internacional;
- empregabilidade: elevado nível de empregabilidade em todas as edições;
- investigação: a pós graduação viria a dar acesso ao Mestrado, onde o a qualidade de dissertações já efetuadas são de elevada qualidade e de interesse prático.
Desde que a primeira edição PGGI arrancou, o paradigma do mercado imobiliário português mudou consideravelmente. De que forma, essas alterações se têm repercutido na forma como é estruturado este curso?
Todos os anos se fazem reuniões de reflexão com professores, com os alunos e com gestores do setor para se refletir a necessidade de adequação dos programas das unidades curriculares, com um grande empenho por parte dos docentes nessas atualizações. Os contactos internacionais com escolas acreditadas pelo RICS servem-nos também de benchmarking.
De ano para ano, como tem sido a adesão das empresas e dos profissionais independentes que apostam na formação da PGGAI (número de alunos / formados desde o início), e avaliação que estes fazem do mesmo para a melhoria da sua atividade?
Como referido anteriormente a procura tem sido superior ao número clausus em cerca de 20% a 30%, pelo que temos de seguir um processo de seleção rigoroso, dando preferência a profissionais com experiência e em posições com responsabilidade de gestão, bem como com elevada nota de licenciatura, e obviamente com domínio da língua inglesa.
De que forma a acreditação pelo RICS, em 2007, teve impacto no próprio curso e na sua cotação em termos internacionais?
Tendo em conta as variáveis a que nos referimos a acreditação da RICS foi uma formalização do reconhecimento que já tínhamos no mercado nacional. Esta reputação permitiu-nos uma rede de contactos e de trocas de experiências que nos deu mais confiança no trabalho que vínhamos realizando, dando assim elementos de comparação internacional.
Em 2012 o mestrado e pós-graduação em GAI ficou cotado em 38º lugar no ranking da Eduniversal. Qual o sentimento geral em relação a esta boa classificação?
Acima de tudo constitui um desafio e um incentivo para continuarmos a introduzir melhorias contínuas.
Este tipo de distinções, como as que acabámos de mencionar, são muito importantes para aumentar o prestígio e o reconhecimento internacional desta formação. Este já é um curso que atrai alunos de outras geografias para o ISEG?
O mestrado e a pós-graduação são em português o que limita a sua internacionalização. O que temos é alunos a trabalhar em diversos países, nomeadamente, Inglaterra, França, Espanha, Brasil e Angola.
Dado que o curso permite o acesso aos percursos profissionais do RICS, a possibilidade de internacionalização dos nossos alunos é claramente uma vantagem competitiva que podem obter no ISEG.
Empreendedorismo, inovação e criatividade são palavras-chave para quem se quer lançar e/ou vingar no mundo dos negócios. De que forma estes conceitos podem(e estão a ser) ser aplicados ao nível da gestão imobiliária? E qual o papel que esta pós-graduação pode ter nesse sentido?
O corpo de docentes, incluindo professores estrangeiros, e de participantes em seminários, constituído por excelentes académicos e profissionais do setor com elevada experiência, é altamente especializado e tem tido a preocupação de introduzir esses temas nos programas das diversas disciplinas.
Tendo em conta a evolução do setor nos últimos anos e o cenário atual, as perspetivas sobre o futuro do mercado imobiliário português não são para já muito claras. É preciso reinventar totalmente a forma como se desenvolvem negócios no mercado imobiliário português?
Sem dúvida. É preciso apostar cada vez mais na reabilitação e arrendamento, na venda de casa a estrangeiros, na exportação de serviços ligados ao imobiliário, na desalavancagem, etc.
A retoma económica também deveria passar por mais investimento na requalificação das cidades portuguesas, tornando-as mais aprazíveis e competitivas, mas também, criando aí uma janela de oportunidade para o imobiliário. Acredita que o futuro do setor imobiliário irá passar inevitavelmente por uma política de cidades?
Sim, irá passar também por aí, mas não só. O potencial do país ao nível do turismo ainda tem de ser mais explorado ao nível de diversos segmentos de mercado.
Fonte: VI

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