Numa das conversas habituais desta altura do ano, comparei o ano 2013 a uma andorinha. Se é certo que "uma andorinha não faz a primavera" e, por isso, não há lugar a grandes entusiasmos nem tempo para descansar, o ano de 2013 marcou, sem dúvida, o mercado imobiliário como anunciador de uma nova "estação".
O que mais me atrai nesta nova realidade é o facto de agora o mercado do nosso imobiliário ser muito mais vasto a uma escala global. Se antes já tivemos investidores institucionais e compradores britânicos para o nosso imobiliário turístico, agora temos esse mercado de volta e muito mais alargado, não só como potenciais investidores, mas também como visitantes, devido ao grande crescimento registado no turismo.
Os programas de benefícios fiscais e vistos criados, a nova lei do arrendamento urbano, juntamente com o potencial turístico das nossas cidades e país estão a criar oportunidades que interessa aproveitar.
A reabilitação urbana tem tido, por isso, um forte desenvolvimento, impulsionada pelo crescimento de oferta de apartamentos turísticos e pela procura de compradores internacionais.
Mas as oportunidades criadas por este "tempo novo" não se ficam por aqui. Estamos a assistir a um enorme crescimento de estudantes internacionais, que necessitam de melhor alojamento, bem como a um crescente interesse de reformados europeus em se fixarem em Lisboa, pelas características ímpares que esta cidade oferece, aliadas ao regime fiscal para residentes não habituais.
Este turismo sénior é uma oportunidade com alto potencial que ainda não foi devidamente explorada e as condições "naturais" e fiscais que temos já são muito atrativas. Precisamos, contudo, de criar uma oferta mais consistente e integrada.
Todas estas oportunidades estão muito centradas no setor da hospitalidade, que, de facto, se apresenta como a maior vocação do nosso país, e que, por isso, interessa acarinhar, desenvolver e também melhor regular.
Um dos fatores que nos tornam um destino muito procurado é, sem dúvida, o baixo preço, o excelente "value-for-money" da nossa oferta turística.
No entanto, esta é também uma das maiores preocupações dos nossos operadores, pois assistimos a níveis de preço que não contribuem para a sustentabilidade do sistema. Como tal, penso que esta deverá ser a maior preocupação do setor, tanto das entidades que o regulam, as associações, como dos operadores.
É importante estudar o que é necessário fazer de modo a que se consiga trazer os preços para níveis que criem riqueza, mas que, ao mesmo tempo, não nos façam perder a competitividade.
O ano de 2013 foi, de facto, de alguma recuperação deste setor em Lisboa, com um aumento de hóspedes internacionais de 8,4% até outubro, com uma ocupação de quartos de hotel até novembro de cerca de 69% (67,5% em 2012), o que, com a abertura de novas unidades e a multiplicação da oferta de apartamentos turísticos pode considerar-se muito bom.
Tendo-se registado um ligeiro aumento no preço médio por quarto vendido (ARR) nos hotéis de quatro estrelas (até novembro), este situa-se nos 63 euros, valor que se considera demasiado baixo para o nível de qualidade que os hotéis da capital oferecem.
Embora não seja especialista neste setor, parece-me que há aqui alguma margem para crescimento se pensarmos num contexto de competitividade internacional.
Penso que a grande maioria dos turistas de Lisboa estaria disponível para pagar um pouco mais pelo seu alojamento na nossa cidade, que considera ser uma autêntica pechincha. Cerca de 80% dos turistas que nos vistam pela primeira vez, consideram que Lisboa excedeu as suas expectativas e apenas 1% refere que ficou abaixo.
Será que as (baixas) expectativas também não serão criadas pelo baixo preço que pagam? Não será possível aumentar o nível de preços mantendo a satisfação dos nossos clientes?
Pensemos, então, no que significaria ter este ARR num valor próximo de 70 euros em 2014, para começar, e o impacto positivo que isso teria neste setor. Temos uma cidade cada vez melhor, cada vez mais única e autêntica na Europa. Não a vendamos ao desbarato.
Por Fernando Vasco Costa, Diretor de Consultoria Estratégica e Research
Fonte: OJE

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