26 abril 2014

Edifícios centenários em risco


Muitos promotores preferem demolir o que está por trás da fachada e construir de raiz.
A crise económica dos últimos cinco anos trouxe contenção ao ritmo da construção nova, mas, em contrapartida, deu impulso à reabilitação dos centros das cidades. Uma reabilitação que nem sempre é assegurada da melhor forma, alerta um grupo de arquitetos, urbanistas e apaixonados pela cidade de Lisboa, no seminário (de entrada livre) que decorre hoje pelas 9:30h no Anfiteatro Ventura Terra da Maternidade Alfredo da Costa. 

A conferência "Lisboa Entre Séculos - A Arquitetura Ameaçada dos Séculos XIX e XX", organizada pelo Fórum Cidadania Lx, vai dar a conhecer exemplos de edifícios de elevado valor patrimonial que já não existem, outros que estão em risco de desaparecer e ainda transmitir algumas técnicas de reabilitação de imóveis que podem ser aplicadas sem ferir a história arquitetónica dos edifícios. 

"Muitos prédios dos séculos XIX e XX estão a ser vítimas de uma reabilitação que chamamos de fraudulenta. E explico porquê: só são mantidas as fachadas e os interiores, que são belíssimos - e às vezes até mais que as fachadas -, acabam por ser simplesmente destruídos. Ou seja, não há reabilitação, pois por trás da fachada passa a existir um edifício totalmente novo", diz Fernando Jorge, arquiteto e um dos organizadores da conferência. 

Grande parte deste edificado dos séculos XIX e XX concentra-se na zona de Campo de Ourique, Arroios, Penha de França e bairros circundantes à Avenida da Liberdade. "É nestas zonas que se têm verificado vários casos de demolição parcial e até total de edifícios. Muitos promotores imobiliários que atuam neste momento em Lisboa vieram da construção nova, estão agora a entrar nos centros históricos e não têm qualquer experiência em reabilitar", alerta o arquiteto, acrescentando que estes promotores "não têm interesse, nem preparação para fazer o reforço estrutural dos edifícios e adaptá-los à vida atual". 

Ao contrário dos edifícios pombalinos, estes "têm má reputação", diz o responsável. "Os historiadores e os académicos sempre elogiaram a arquitetura pombalina mas este período já divide opiniões' reforça. lembrando que nesse processo parte da história da cidade acaba por desaparecer.

Fonte: Expresso

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