
São os estrangeiros os principais compradores de habitação do segmento alto, com especial interesse nos principais destinos turísticos portugueses, como é o caso de Lisboa, Madeira e Algarve. O mercado de habitação de luxo, à semelhança de muitos outros, mudou nos últimos três anos e, atualmente, são os estrangeiros quem mais compra imóveis deste segmento nos principais destinos turísticos portugueses, como Lisboa, Madeira ou Algarve, ou até num destino emergente com a Costa Alentejana.
“Depois da crise se ter acentuado, os compradores nacionais retraíram-se bastante e a procura por estrangeiros, pelo contrário, cresceu”, diz Fernando Neves, Administrador da CasaCaso, que trabalha o mercado de Tróia. Hoje “é claro que são os estrangeiros a dominar na compra de casas de luxo”, o que encontra explicação, para além da conjuntura económica adversa dos últimos anos, no facto de o próprio nível de preços destas casas ser ”mais apetecível” aos compradores internacionais. Além disso, neste destino em específico, frisa Fernando Neves, estão reunidas “valências que invulgarmente não se encontra num espaço que é possível percorrer a pé”, como o golfe, casino ou marina. Associado à tranquilidade, sossego e posicionamento familiar, tem sido um foco de atração para este público. Aqui são os Nórdicos, e não tanto os britânicos e alemães, que estão mais ativos, revela, acrescentando que procuram também que estes imóveis sejam uma fonte de rendimento, colocando-os para arrendamento turístico. “Vêm com menos frequência, e se puderem aliar rentabilidade a um bom imóvel, tanto melhor”.
Esta lógica norteia também muitas das compras feitas por internacionais na Madeira. “Muitos clientes estrangeiros compram as casas para ocupar metade do ano e na outra metade, pretendem obter rendimento, colocando-as para alojamento local”, explica João Andrade , Gerente da Pink Real Estate. O clima e a segurança que a Ilha oferece, face à instabilidade que se vive noutros países europeus que competem com Portugal anível turístico, são apontadas por este profissional como razões para atrair estes clientes, que hoje em dia não são apenas britânicos. “Nos últimos dois anos, temos registado elevada procura de finlandeses e franceses, e também de russos”. “Procuram adquirir imóveis de luxo, porque é também uma forma de aplicar o seu capital e compram por vezes dois imóveis com objetivo de obter rentabilidade”. Mas não só. No caso dos franceses, diz João Andrade, há cada vez mais procura para habitação própria e permanente, sobretudo devido aos benefícios fiscais atribuídos no âmbito do Regime de Residente não Habitual.
Em Lisboa, concretamente na cidade, as motivações para os estrangeiros comprarem casas de luxo têm também outras naturezas. “Lisboa como capital do país, tem por si só, fatores de atratividade ímpares para o público internacional”, comenta Gustavo Soares, Managing Director da Portugal Sotheby´s International Realty. Um deles é o facto de poder funcionar como “Hub de negócios para um grande grupo de empresários, que pode fixar-se na cidade para desenvolver a sua atividade económica”. Mas também a reabilitação que hoje agita a cidade tem captado interessados. “É um forma de investimento na reabilitação urbana, que pode passar por comprar o imóvel, reabilitar e posteriormente vender ou rentabilizar”, refere, adiantando que a compra de habitação como investimento por estrangeiros é já cerca de 50% das motivações de compra dos clientes internacionais.
Também em Sintra e Cascais os estrangeiros dominam neste segmento quando o foco é a segunda habitação. De acordo com Graça Caprichoso, diretora geral do grupo Remax Spazio e Action, o cliente internacional pesa cerca de 60% nas compras de residencial de luxo com objetivo de habitação de férias, embora no total das vendas do segmento, a motivação de 2ª habitação seja de apenas 20% quanto comparada como a motivação de habitação primária, a qual concentra 80% das vendas no segmento. Aqui as zonas prime de Cascais e alguns condomínios fechados de referência na zona de Sintra são os que registam maior procura, nota esta profissional.
No Algarve, e mais concretamente no Sotavento, que tem sido redescoberto em termos turísticos, o preço é um dos fatores valorizados pelos estrangeiros que procuram habitação de luxo. São sobretudo ingleses, holandeses, brasileiros e franceses, os estrangeiros que fazem o mercado nesta zona do Algarve, e que constituem a esmagadora maioria dos compradores neste segmento, refere Pedro Santos, gerente da ERA Vila Real de Santo António. Além do preço, o enquadramento paisagístico também pesa, bem como o clima, as infraestruturas desportivas e de lazer.
E os preços?
Habitualmente, e desde que o regime de vistos gold foi implementado, que se situa um patamar mínimo de 500 mil euros para as casas neste mercado, mas os valores médios posicionam-se já bastante acima. Na experiência o Millennium bcp, que integra no seu portefólio de desinvestimento um conjunto de imóveis habitacionais de luxo sobretudo em Lisboa, Sintra, Cascais e Porto, o valor médio de comercialização destes ativos foi, de acordo com José Araújo, Diretor da Direção de Negócio Imobiliário do Banco, de 850 mil euros, um valor em linha com os 870 mil euros a que, em média, Gustavo Soares, da Sotheby’s, aponta a venda deste tipo de casas em Portugal. No caso do Millennium bcp não há distinção entre compradores, até porque “estão repartidos entre nacionais e estrangeiros, sem se notar uma tendência clara”. Mas a Sotheby’s, aprofunda, revelando que os Portugueses, compram, em média nos patamares entre os 500 e os 800 mil euros, e que a partir desses valores a compra é feita sobretudo por estrangeiros, com os franceses a irem até aos 2 milhões e os ingleses e irlandeses dispostos a superar esse patamar.
O Managing Director da Sotheby’s deixa, contudo, desde já o alerta para quem vende neste segmento de luxo: “É preciso mantermo-nos serenos, porque a manutenção do crescimento da procura internacional está nas nossas mãos. “Não podemos passar a achar que tudo é luxo e que os clientes internacionais compram sem ter em conta critérios lógicos de aquisição, nomeadamente num ponto chave que é o preço de mercado” O mercado, em todo o caso, deverá continuar a evoluir positivamente e os projetos continuam a desenvolver-se com grandes preocupações pela qualidade, nota Gustavo Soares, que encontra eco nos restantes profissionais auscultados. Da parte do Millennium bcp, por exemplo, “as vendas neste segmento foram excecionalmente bem sucedidas em 2014 e 2015, com um aumento exponencial em número de imóveis e valor”, revela José Araújo, avançando que “continuaremos a estar muito atentos a este segmento, até pelo sinal de investimento que representa para o país”.
Fonte: Público Imobiliário
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