Por Paulo Santos *
O final da bolha imobiliária, tanto nos EUA como em Portugal, está a gerar - e irá continuar a gerar - algumas consequências menos óbvias e diretas do que simplesmente o menor volume de construção e venda de imobiliário.
A primeira dessas consequências, já visível nos EUA, e que também se irá registar em Portugal, é o dinamizar do mercado de arrendamento. Quer pela indisponibilidade de crédito hipotecário, quer por este se tornar mais caro, muitas famílias que antes tentariam comprar o seu imóvel agora não têm outra alternativa que não seja arrendar.
Assim, não espanta a queda extraordinária de apartamentos disponíveis para arrendamento que já se verifica nos EUA e se ilustra no gráfico incluído.
Em Portugal, iremos assistir ao mesmo fenómeno, com uma procura substancialmente incrementada no mercado de arrendamento. O volume, portanto, subirá. Já o preço do arrendamento em Portugal é difícil de prever, dado que simultaneamente se espera um grande aumento da quantidade de apartamentos disponíveis para arrendamento, nomeadamente vindos de execuções fiscais ou de devedores em dificuldades.
A segunda consequência é mais aplicável aos EUA. Uma vez que o mercado de arrendamento se tornou muito mais "apertado", como se pode observar no gráfico, as rendas estão a tender a subir.
Ora, aqui dá-se algo interessante. A composição do índice de preços ao consumidor nos EUA sobrepondera consideravelmente o que acontece nas rendas, visto que toda uma categoria imaginária, "as rendas equivalentes pagas pelos donos de casa a si próprios", foi criada para refletir o custo do serviço de habitação nos preços ao consumidor. Essa categoria segue as rendas reais de forma próxima, o que significa que cerca de um quarto do índice de preços ao consumidor são rendas. Assim, naturalmente, uma subida das rendas irá ter impacto na inflação, nos EUA.
* analista XTB
Fonte: OJE
0 comentários:
Enviar um comentário
Obrigado pelo seu comentário.