13 abril 2015

Escritórios. Empresas querem estar no centro de Lisboa e gastam €454 milhões em rendas


Rendas baixas permitiram deslocalização para edifícios de escritórios em zonas centrais. Em 2014 as empresas instaladas no centro de Lisboa geraram 454 milhões de euros em rendas. O centro da capital voltou a estar em alta para a instalação de empresas e abertura de escritórios. A área que abrange a Avenida da Liberdade (zona 1), Saldanha, Entrecampos e Amoreiras (zona 2) e também a chamada zona 3 (onde se incluem as Torres Colombo) foram aquelas que registaram a maior procura ao nível de edifícios de escritórios durante o ano passado.


O "Out of the Box", estudo anual da consultora imobiliária B. Prime conclui que 2014 foi o melhor ano dos últimos seis no que respeita a área ocupada em escritórios: 126.529 m2. Um valor que representa um crescimento de mais de 60% face a 2013.

Para além da forte subida na área ocupada, o ano de 2014 foi igualmente marcado por um recorde absoluto: nunca antes tinha havido tantas empresas a mudar de instalações. No ano passado, do total de 239 operações realizadas no mercado, 140 respeitaram a mudança de instalações, o equivalente a 58,5% do total anual.

Feitas as contas, conclui-se ainda no estudo que "os grandes ocupantes de espaços estão de volta ao mercado e ao centro da cidade" e que as "zonas 2 e 3 pesaram quase 50% da absorção total anual de escritórios". É ainda de assinalar uma descida do valor das rendas, fixando-se a média nos €11,51/m2 e a renda prime nos €19/m2. No final do ano, o mercado de escritórios de Lisboa gerou um total de €454 milhões em rendas.

"As empresas aproveitaram as rendas baixas e conseguiram valores muito competitivos em termos de arrendamento para o centro da cidade. Por isso, para além da forte subida na área ocupada, o ano de 2014 foi igualmente marcado por um recorde absoluto: nunca antes tinha havido tantas empresas a mudar de instalações. No ano passado, do total de 239 operações realizadas no mercado, 140 respeitaram a mudança de instalações, o equivalente a 58,5% do total anual", realça Jorge Bota, diretor-geral da B.Prime

A zona 2 foi a que mais área arrendou, fruto de mudança de instalações de empresas, tendo recebido 36% do total, principalmente devido aos negócios efetuados no novíssimo edifício Duarte Pacheco, 7. "E os cinco maiores negócios concretizados no ano passado foram todos realizados no centro de Lisboa", refere-se ainda no estudo. A saber: a instalação da Deloitte no edifício Duarte Pacheco (zona 2), a BNP, na Torre Colombo (zona 3), a ADENE, no edifício Santa Maria (zona 2), os advogados Miranda, Correia & Associados, no Duarte Pacheco e os escritórios da Santa Casa, na Avenida da Liberdade (zona 1). 

O Parque das Nações (zona 5), muito procurado pelas multinacionais nos últimos três anos, já tem poucos grandes espaços ainda livres. As atuais operações restringem-se a ocupações de menor dimensão. Isto está a levar as empresas de maior dimensão a procurar outras localizações.

Com a construção em baixa desde o início da crise, poucos edifícios novos têm entrado no mercado. Segundo o "Out of Box", os 20.635 m2 de escritórios que inauguraram em 2014 representaram "o segundo registo mais baixo de sempre". 2015 não será diferente: estima-se que até ao final deste ano entre no mercado uma área adicional de 37.068 m2 de escritórios novos, "mas estes edifícios estão já praticamente todos ocupados", acrescenta o responsável da B.Prime, dando como exemplo a sede da EDP.

Tendências para 2015
Atendendo ao atual cenário, Jorge Bota não tem dúvidas de que este ano "as zonas-estrela serão a 3 e a 6, onde se irá registar uma procura assinalável". Recorde-se que na zona 3, além das já lotadas Torres Colombo, contam-se ainda as Torres de Lisboa, ainda com 22 mil m2 de área disponível e as Torres Natura, com 6 mil m2 livres. A chamada zona 6 é o Corredor Oeste que abrange os parques de escritórios no eixo A5 e onde se incluem, entre outros, a Quinta da Fonte, Lagoas Park e Tagus Park. Aqui a disponibilidade é ainda folgada.

Outra tendência para 2015 tem a ver com o valor das rendas. "É interessante verificar que o forte aumento da área absorvida, aliada a um reduzido stock novo disponível no mercado, não provocou qualquer pressão em alta sobre as rendas em 2014, bem pelo contrário. No entanto, esta situação provavelmente vai inverter-se durante o ano de 2015", vaticina o diretor da B.Prime

O que já se está a verificar é a redução de incentivos concedidos pelos proprietários aos seus inquilinos empresariais. Nos tempos de crise, os senhorios não só baixaram as rendas como concederam ajudas à instalação da empresa, através de obras de adaptação de espaço e ainda através de meses de carência das rendas a pagar. 

"Mas se no ano passado os prazos de carência das rendas chegavam facilmente aos 12 meses, atualmente não vão além dos seis meses e só para negócios de grande dimensão", diz Jorge Bota.

Outro sinal de mudança no mercado e que deverá consolidar-se em 2015 tem a ver com a reabilitação de edifícios no centro da capital para responder à atual apetência do mercado. "Existe muito stock disponível no centro de Lisboa mas sem condições para ser ocupado. O ano passado demonstrou que havendo espaço bem localizado, com dimensão e renovado, é facilmente ocupado", salienta ainda Jorge Bota.

Fonte: Expresso

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